quarta-feira, 27 de abril de 2016

Série Eletrônica - Parte 5

Quando você está vendo pela internet algum tutorial para fazer alguma coisa que envolva fios de cobre, quase sempre é dito a bitola em AWG de um fio, por exemplo: fio 24 AWG, fio 22 AWG, etc, mas o que é o AWG e como eu descubro se o fio que tenho é o mesmo indicado ou se procuro um mais grosso ou mais fino? É isso que veremos a partir de agora em mais um post da série eletrônica.
O que é o AWG?
American Wire Gauge (AWG) ou escala americana normalizada é o nome da unidade de medida usada para padronização de fios e cabos elétricos. Nessa escala, quanto maior o AWG de um fio, mais fino ele será. 
Antes de aprender a descobrir qual fio temos em mãos, baixe a tabela AWG do blog (ou clique na imagem a seguir)!
http://blogdonatanael.com/mm/baixar.php?arquivo=arquivos/tabela_awg.pdf
Com essa tabela em mãos (imprima ela e tenha sempre por perto), vamos aprender a ver o AWG de um fio:
Para isso, basta usar um objeto cilíndrico (o tubo de uma caneta BIC também serve), enrole várias voltas nesse objeto ocupando um espaço de 1cm (meça com uma régua), conte o número de voltas nesse 1cm e veja o número mais próximo na tabela AWG que você baixou, olhando a seção "número de espiras por cm".
Vamos começar com um fio bem conhecido, o fio de cobre que tem dentro dos cabos de rede cat 5e, vejamos como fica:
Contando o número de voltas, deu cerca de 18, com isso vejo que 18 voltas em 1cm equivale a um fio 24 AWG, vamos ver mais de perto:
Fazendo uma rápida busca na internet por cabos de rede, todos os resultados falam que sua bitola é 24 AWG, veja de perto a inscrição na sua lateral:
Achou o 24AWG??! Ou seja, funciona! Vamos mais um:
Nessa imagem, o fio deu 13 voltas, o mais próximo disso é 12,8 voltas que corresponde ao fio 21 AWG, ou seja um cabo um pouco mais grosso comparado ao primeiro. Eu utilizo esse cabo para fazer jumpers em placas de circuito impresso que monto, funciona muito bem e não ocorre oxidação.
Mas e se o fio for muito fino e você estiver sem paciência para contar várias voltas? Use o diâmetro em milímetros! Nessa postagem falei de um fio de reparos que comprei na Usina Info, a única informação disponível é que ele possui 0,1mm de diâmetro, indo pela nossa tabela, mas olhando a coluna "diâmetro (mm)" o mais próximo disso é 0,1007mm que vem a ser nosso fio 38 AWG.
Ou seja, sempre que você ver em um vídeo ou em um texto na internet falando sobre um fio X AWG e você não faz ideia de qual fio é esse, pegue algum fio e faça como o explicado olhando na tabela, se o AWG que você encontrou for menor que o citado (no vídeo ou texto) você terá que usar um fio um pouco mais espesso, se o AWG for maior, procure um fio mais fino.
Essa tabela que você baixou possui um belo espaço no lado esquerdo da folha, nesse espaço vazio, utilize para anotar a fonte do fio de cada bitola que você encontrou, assim basta pegar sua folha e ver onde você pode encontrar novamente o fio de mesma bitola da necessária.
Por hoje é isso pessoal, um abraço e até a próxima.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Atualização da fonte váriavel caseira

Ola pessoal, na postagem de hoje vou mostrar as adaptações que fiz na minha fonte variável caseira de bancada, primeiramente uma foto dela no momento:
Eu removi a "alça" que ela tinha (que na verdade eram os "pés" da fonte) e fixei novos de madeira mesmo, apenas pintei de preto para ficar parecido com a cor do plástico. Esse apoio da fonte se tornou a alça do meu controle remoto de projetos e você pode ver o resultado na imagem a seguir:
Com essa alteração na fonte ela ganhou mais altura em relação a bancada ajudando ainda mais no arrefecimento.
Adicionei um mini voltímetro ao projeto que comprei na loja FJMSoft (que aliás está listada na nossa página "onde comprar", confira!), preço bem acessível e realmente o equipamento é bem preciso (no geral uma diferença de 0,1V para mais). 
Veja na imagem o valor sendo lido por um osciloscópio:
 
Além disso substitui a posição do fusível para ter uma resposta mais rápida em caso de curto e adicionei um LED indicador de fusível queimado, além de trocar o LED indicador de funcionamento por um de brilho mais baixo (tinha um de alto brilho que quase me cegava kkkkk), agora uma foto de como ficou o indicador de fusível queimado:
Não tem como não ver que o fusível queimou hehehehe, falta etiquetar apenas o LED como sendo indicador de fusível queimado.
Tenho utilizado muito a fonte, aliás mais até do que a antiga, e está saindo-se muito bem, já tenho planos para uma futura atualização, algumas ideias, mas isso só o tempo vai dizer se será possível e útil implementar o que tenho em mente.
Eu disse que ia fazer mais testes na postagem dela e fiz, mas acabei não colocando os resultados aqui (resultados que me levaram a fazer algumas dessas modificações), então agora vou refazer uns testes e coloco aqui os resultados para vocês.
Por hoje é isso pessoal, um abraço e até a próxima.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Série Eletrônica - Parte 4

Até o momento já vimos os componentes, os conceitos básicos de eletricidade e como usar um multímetro para obter diferentes medidas, na postagem de hoje veremos como funcionam os motores de corrente contínua (CC).
Os motores de corrente contínua (CC) ou motores DC (Direct Current), como também são chamados, são dispositivos que operam aproveitando as forças de atração e repulsão geradas por eletroímãs e ímãs permanentes (polos iguais se repelem, polos diferentes se atraem).
 
Na imagem acima, você pode ver dois ímãs no motor: a armadura (ou rotor) é um eletroímã, enquanto o ímã de campo é um ímã permanente (o ímã de campo também pode ser um  eletroímã, mas na maioria dos motores pequenos isso não acontece, para economizar energia). 
Quando o eletroímã do centro é repelido pelo lado norte do ímã de campo e completa meia volta, o sentido da corrente elétrica é invertido e então o lado oposto que estava sendo atraído para o lado norte começa a ser repelido, dessa forma consegue-se o movimento circular continuo dos motores.
A seguir temos dois motores muito comuns no dia a dia de todos:
Nessa foto, o motor da esquerda é criado pela empresa MITSUMI ELECTRIC CO., LTD, um motor pequeno que faz funcionar drives de CD e DVD, a empresa tem vários segmentos de atuação, sendo os pequenos motores um deles.
No lado direito um grande conhecido de todas as crianças e muitos hobbystas, um motor criado pela Mabuchi Motor, os mesmos utilizados pelas transmissões da Tamiya, que já falei aqui e também aqui.
O centro do motor pode ser visto na foto a seguir:
Temos 3 eletroímãs nesse motor e seu comutador (a primeira parte mais grossa da direita pra esquerda) gera muita interferência nos terminais do motor, por isso o motor da foto anterior possui 3 capacitores cerâmicos soldados aos seus terminais. 
Usar um motor desses é muito simples e fácil nos projetos, mas é essencial que coloque-se os 3 capacitores de desacoplamento em seus terminais, dessa forma seu Arduino ou PIC (ou outro microcontrolador) não será afetado por essa interferência causada pelo centelhamento das escovas quando o motor está girando.
Como é possível ver, a base de funcionamento de um motor CC é o efeito magnético causado pela passagem de corrente elétrica, pesquise mais sobre ele e você irá conhecer melhor os motores e também como modificar um motor desses.
Por hoje é isso pessoal, um abraço e até a próxima.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Série Eletrônica - Parte 3

Olá pessoal, nessa nova postagem da série de posts sobre eletrônica básica para os iniciantes, vamos aprender a utilizar o principal equipamento que deve ter em uma bancada de eletrônica, o multímetro! (eu tenho 4 e mais um capacímetro kkkkk).
O multímetro é nossa principal ferramenta devido às possibilidades de uso que ele oferece, desta forma podemos trabalhar efetuando vários tipos de testes na bancada, seus preços variam bastante, depende de marca, funções que oferece, precisão, TRUE RMS ou não, entre outros fatores, alguns encontra-se por cerca de R$ 30,00 já outros podem chegar a R$ 300,00 ou R$ 400,00.
Vamos ver como efetuar as principais leituras no multímetro, esse meu que aparece nas imagens custou uns R$150,00 e já tenho ele faz uns 5 anos, nesse período só troquei a bateria algumas vezes (óbvio) e precisei trocar o botão de ligar e desligar que apresentou problema devido ao tempo de uso, mas possui uma ótima precisão. Para quem vai iniciar recomendo comprar os de R$30,00 mesmo, funciona da mesma forma, só perde um pouquinho a precisão, mas nada grave para o básico. 
1) Medindo tensões:
Para efetuarmos a medição da tensão fornecida por uma fonte de energia ou consumida por um equipamento, devemos colocar o multímetro na escala de tensão a qual deseja-se medir e ligar em paralelo com o equipamento. Quando não se sabe a tensão que vai ser medida, colocamos o multímetro na faixa mais alta e vamos diminuindo aos poucos.
Na imagem anterior o multímetro está conectado em paralelo com o cooler, e configurado para uma tensão de até 20V corrente continua, veja no detalhe:
Ou seja, valores superiores a 20VC DC não serão mostrados no visor, para isso deve-se mudar a faixa de leitura para 200 ou 1000. O esquema da ligação seria assim: 
Nessa imagem o multímetro (em amarelo) está na escala de tensões e ligado em paralelo à carga do circuito (em azul) para efetuar e medida de tensão.
2) Medindo corrente elétrica:
Na medição de corrente elétrica (nada de dizer "amperagem"! Isso não existe lembra?) com o uso do multímetro, faz-se necessário conectar o multímetro no meio do circuito, entre a fonte e o equipamento que está consumindo a corrente elétrica, sempre coloque no valor mais alto de corrente e vá diminuindo aos poucos o valor até chegar na faixa que você quer ler.
O fio que antes era unido, agora foi dividido e um pedaço foi ligado em uma ponta de prova do multímetro e a outra ponta de prova na continuação do fio, assim é possível efetuar a leitura da corrente elétrica que passa pelo fio para alimentar o equipamento.
Detalhe para a configuração do multímetro para medir corrente, muda a posição do seletor e também o lugar da ponta de prova vermelha, nesse modelo o multímetro pode medir correntes de até 10A sem fusível, mais do que isso e o equipamento é danificado. O esquema da ligação seria assim:
Ou seja, como dito a corrente passa pelo multímetro para ser efetuada a medição.
3) Medindo resistência:
A medição de resistência basta fazer a ligação do multímetro aos terminais do componente ou aparelho que deseja-se medir, sem uso de energia para seu funcionamento.
Na foto é possível ver um multímetro onde nas pontas de prova há um resistor de 10K, como o resistor tem uma margem de tolerância (que varia de acordo com a 4ª cor apresentada no resistor) não teremos uma leitura 100% precisa de 10KΩ, nesse momento a leitura é de 9,71KΩ.
A configuração do multímetro é a seguinte:
 As pontas de prova permanecem como se fosse efetuar a leitura de tensão, mas a chave rotatória muda para o ajuste de resistência. O esquema elétrico seria assim:
Mais uma vez, colocamos o multímetro em uma escala superior à desejada e vamos mudando até ter a leitura correta.
4) Teste de continuidade:
Alguns multímetros (como esse meu ou mesmo os mais baratos) apresentam uma opção que é o teste de continuidade, imaginando que temos um fio em mãos e desejamos saber se ele está ou não quebrado em algum pedaço, para isso conectamos uma ponta de prova em cada extremidade e com o multímetro posicionado em "continuidade" ele pode emitir um aviso sonoro (alguns modelos não possuem aviso sonoro). Veja um teste de continuidade nas extremidades do fio de um indutor:
A resistência lida é próximo de zero, e o multímetro emite um aviso sonoro, caso o fio estivesse rompido,ou fosse colocada na extremidade de outro fio, teríamos uma leitura "infinita" no visor:
E nada de aviso sonoro! Também pode ser efetuado teste de diodos dessa forma, ele deixaria passar a corrente no sentido correto (emitindo o aviso sonoro) e quando invertido impediria a passagem da corrente elétrica (aparece o "1" na tela).   

AVISO: NUNCA mude de posição a chave rotatória do seu multímetro com ele conectado à uma fonte de energia ou equipamento para evitar danos.

BÔNUS: Como disse no primeiro post dessa série de eletrônica, a potência de um equipamento é calculada pela seguinte fórmula: P(W) = V x I. Então vamos calcular quantos W de potência o cooler da foto estava consumindo, para isso temos:
Tensão = 11,99V
Corrente = 0,13A
P(W) = 11,99 x 0,13 = 1,56W

Viu como é simples?!

Por hoje é isso pessoal, um abraço e até a próxima.